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16 de maio de 2013

Ex-militar ameaçado por não participar da repressão


Matéria de ontem do Jornal da Record contou a história de Waldemar Martins de Oliveira, soldado que não quis fazer parte do aparelho repressivo da ditadura militar e, por isso, sofreu represálias.

Abaixo o vídeo com a reportagem de Rodrigo Vianna.




12 de maio de 2013

Superando o capitalismo

Por Jeferson Malaguti Soares *

A exploração do homem pelo homem remonta aos primórdios da humanidade, na medida em que foram sendo criados conceitos discriminatórios sobre a propriedade, a produção, a distribuição e o consumo de produtos básicos para a sobrevivência humana. Desses conceitos e preconceitos, nasceram os princípios da Economia da Produção (“... a economia é o estudo dos métodos pelos quais a comunidade tira proveito dos bens materiais.” – Veblen, 1857/1929) e da Economia Politica (“... a economia política trata principalmente dos interesses materiais das nações. “ – Roscher, 1817/1894).

A partir daí surgem, então, o mundo rico e o mundo pobre. As categorias de nações desenvolvidas e as subdesenvolvidas. Os ricos e contumazes consumidores dos bens e as populações subnutridas, analfabetas, carentes e absolutamente dependentes das regiões economicamente desenvolvidas, dos ricos.

Mas existe pobreza também nos países mais ricos, haja vista que nem todas as pessoas vivem confortavelmente nas nações abastadas. Em toda parte há pelo menos um terço ou um quarto da população constituída por gente verdadeiramente pobre, mal vestida, mal abrigada e mal nutrida.

Por que há tantos pobres no mundo? Por que isto acontece, apesar da evolução tecnológica que privilegia seguidamente a produtividade no campo? Por que os níveis de vida variam tão grandemente? Por que tudo isso acontece, se a natureza é pródiga na fartura? Simples: além da discriminação racial, étnica, ideológica, religiosa e social, países subdesenvolvidos são administrados também por governos subdesenvolvidos, mantidos no poder pelas nações mais poderosas que, para continuar liderando, fomentam a discórdia, a violência e a guerra, contribuindo enormemente para o empobrecimento de um povo ou de uma civilização inteira.

Nota-se, com bastante clareza, que a pobreza está sempre sendo gestada pelos países mais poderosos, a fim de que não fuja de seu controle. É importante que ela seja mantida, tanto para a economia quanto para a manutenção do poder dos mais ricos sobre os mais pobres. Estes são obrigados a consumir produtos de segunda classe, que não mais interessam aos abastados, além de contribuir com matéria prima, com baixo ou nenhum nível de industrialização, a preços aviltados.

5 de maio de 2013

Transportes em debate em Ribeirão das Neves



Por Cléber Sérgio de Seixas *

Ontem, a Rede Nós Amamos Neves promoveu uma assembléia sobre o transporte coletivo de Ribeirão das Neves. Os trabalhos começaram com a formação de grupos para análise das propostas iniciais apresentadas pelos movimentos populares. Em seguida, cada representante de grupo leu as respectivas proposições, as quais formarão um documento que será repassado à Secretaria de Segurança, Trânsito e Transporte municipal, à SETOP (Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas) e às empresas de ônibus que prestam serviços na cidade.

Após a leitura das propostas foi formada uma mesa. Compuseram-na a integrante do Movimento dos Transportes de Ribeirão das Neves, Cláudia Oliveira, o Secretário Municipal de Segurança, Trânsito e Transporte, Luiz Carlos Godinho, o Deputado Estadual Paulo Lamac (PT), o professor aposentado de Ciência Política (UFMG) e membro fundador da Rede Nós Amamos Neves, Michel Le Ven, Ranulfo de Paula, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Autônomos em Transporte Suplementar de Passageiros e Cargas de Ribeirão das Neves, e Chiquinho Maciel, representando a Associação dos Usuários do Transporte da Região Metropolitana de BH. Após as considerações da mesa, os microfones foram abertos aos presentes. 

Participaram do evento várias lideranças comunitárias, membros de pastorais e movimentos sociais, com destaque para o movimento Acorda Neves – que no 1º de Maio último promoveu uma manifestação cobrando melhorias no transporte público de Ribeirão das Neves -, e o Movimento dos Transportes de Ribeirão das Neves, que há muito luta por um transporte de qualidade no município. 

Apesar de convidadas, não enviaram nenhum representante a SETOP, a Transimão e a RODAP, mesmo sendo estas duas últimas as empresas que prestam serviços de transporte no município. O Legislativo municipal não se fez representar porque nenhum vereador teria recebido convite formal para a assembléia. 

Um dos destaques do evento ficou por conta da fala do Secretário Luiz Carlos Godinho, cuja intervenção dirimiu polêmicas e equívocos acerca de quem seria a competência para outorgar ou cassar/rever concessões para empresas que prestam serviço de transportes em caráter intra e intermunicipal, a saber, a Secretaria de Transportes Municipal e SETOP, nessa ordem.


Abaixo mais fotos do evento.


 



* Cléber Sérgio de Seixas é Secretário de Formação e Propaganda do PCdoB Ribeirão das Neves e membro da Rede Nós Amamos Neves.

Fonte: Blog da Rede Nós Amamos Neves
 

1 de maio de 2013

Pedreiros do futuro


Por Ellen Viana *

Ontem, ao conversar com meus alunos sobre o futuro, fui surpreendida por respostas, até certo tempo atrás, impossíveis de serem ouvidas em sala de aula.Estávamos falando sobre sonhos, desejos e profissões do futuro e cada um deles falou sobre sua expectativa de vida e sobre o que gostariam de ser quando crescerem. Uma boa parte quer ser médica, outra parte quer ser engenheira, enfermeira e, para a minha alegria, ou tristeza talvez, não identifiquei algum querendo ser professor. Naquele momento, percebi um sinal de que o valor (ou a falta de valor) do professor é sabido até mesmo pelos pequenos. A comunidade na qual se localiza a escola que trabalho tem altos índices de violência em comparação com as demais da capital maranhense. Nela, a droga virou moeda de troca e a lei do silencio é a única cumprida à risca pela população.

Continuando a conversa com eles, descobri que alguns alunos gostariam muito de ser pedreiros… ”Uau! Nossa! Que estranho!” Nada contra a profissão, mas… (momento de reflexão). Eles não deveriam sonhar em serem engenheiros também assim como os outros? ”Por que sonhar com uma profissão tão árdua e de pouca remuneração”?

29 de abril de 2013

O golpe da informação


 Por Mauro Santayana

Há 48 anos, quando o Brasil vislumbrava reformas constitucionais necessárias a seu desenvolvimento, os Estados Unidos financiaram e orientaram o golpe militar. E interromperam uma vez mais um projeto nacional proposto em 1930 por Vargas. Os acadêmicos podem construir teses sofisticadas sobre a superioridade dos países nórdicos para explicar o desenvolvimento da Europa e dos norte-americanos e as dificuldades dos demais povos em acompanhá-los, mas a razão é outra. Com superioridade bélica, desde sempre, impuseram-se como conquistadores do espaço e saqueadores dos bens alheios, os quais lhes permitiram o grande desenvolvimento científico e militar nos séculos 19 e 20 e sua supremacia sobre o resto do mundo.

Pode-se ver a origem do golpe de 1964 mais próxima uma década antes. Em 1953, diante da resistência de Getulio, que quis limitar as remessas de lucros e criou a Petrobras e a Eletrobras para nos dar autonomia energética, a ação “diplomática” dos Estados Unidos cercou o governo. Com o aliciamento de alguns jornalistas e dinheiro vivo distribuído aos grandes barões da imprensa da época, construiu a crise política interna. Entre a lei que criou a Petrobras e a morte de Getulio, em 24 de agosto de 1954, o Brasil viveu período conturbado igual aos três anos entre a renúncia de Jânio e 1964.

A propósito do projeto de Getulio, seria importante a tradução no Brasil de um livro no qual essa operação é narrada em detalhes:The americanization of Brazil – A study of US cold war diplomacy in the third world, 1945-1954. Um estudo sobre a diplomacia norte-americana para o Terceiro Mundo em tempos de Guerra Fria. O autor, Gerald K. Haines, é identificado pela editora SR Books como historiador sênior a serviço da CIA, o que lhe confere toda a credibilidade.

Haines mostra como os donos dos grandes jornais da época foram “convencidos” a combater o monopólio estatal, até mesmo com textos produzidos na própria embaixada, no Rio. E lembra a visita ao Brasil do secretário de Estado Edward Miller, com a missão de pressionar o governo a abrir a exploração do petróleo às empresas norte-americanas. O presidente da Standard Oil nos Estados Unidos, Eugene Holman, orientou Miller a nos vender a ideia de que só assim o Brasil se desenvolveria. Mas o povo foi às ruas e obrigou o Congresso a impor o monopólio.

A domesticação dos meios de informação do Brasil começara ainda no governo Dutra. Os norte-americanos usaram as excelentes relações entre os intelectuais e jornalistas e o embaixador Jefferson Caffery, nos meses em que o Brasil decidira por aliar-se aos Estados Unidos na luta contra o nazifascismo, em benefício de sua expansão neocolonialista.

A criação da Petrobras levou os ianques ao paroxismo contra Vargas, e os meios de comunicação acompanhavam a histeria norte-americana. A estatal era vista como empresa feita com o amadorismo irresponsável dos ignorantes.

A morte de Vargas não esmoreceu os grupos que tentaram, em 11 de novembro do ano seguinte, impedir a posse de Juscelino. O golpe de Estado foi frustrado pela ação rápida do general Teixeira Lott. Em 1964, a desorganização das forças populares favoreceu a vitória dos norte-americanos, que voltaram a domesticar a imprensa e o Parlamento e manipularam os chefes militares brasileiros.

Os êxitos do governo atual e a nova arregimentação antinacional contra a Petrobras – agora com o pré-sal – devem mobilizar os trabalhadores que não estão dispostos a viver o que já conhecemos. Sabem que a situação internacional tende para a direita, e não podemos repetir apenas que o povo esmagará os golpistas. É necessário não só exercer a vigilância, mas agir, de forma organizada e já, para promover a unidade nacional em defesa do desenvolvimento de nosso país.

17 de abril de 2013

Globalização, competitividade e inação


O Pensador, escultura de Auguste Rodin


Por Cléber Sérgio de Seixas

Eis sábias palavras do saudoso professor Milton Santos:

“Neste mundo globalizado, a competitividade comanda nossas formas de ação. O consumo comanda nossas formas de inação.”

Estendendo um pouco o raciocínio, facilmente deduz-se que a competitividade, o darwinismo social, rechaçam práticas cooperativas e impõem uma predatória competição entre os indivíduos, reconduzindo-os a perigosos estágios primevos, o que se efetiva desconsiderando que a evolução humana se deu principalmente porque avançamos da competição para a cooperação.

Já o consumo, ou por extensão, o consumismo, substitui o pensar pelo sentir, o questionar pelo desfrutar, diluindo todo espírito inquiridor e a combatividade dele decorrente. Alguns indivíduos abraçam o pensamento único, as teses de "fim da história", e se lançam nas escuras águas da pós-modernidade, onde a relativização impede análises mais profundas da realidade e convida ao conformismo. A curiosidade não está mais em pauta. Conclui-se que o pensar dói e o questionar cansa.

Nunca se falou tanto em diversidade, mas o que se observa é uma massificação de hábitos - basta utilizar o transporte público para observar que todos tem celulares e smartphones, lêem os mesmos livros e vestem diferentemente, porém sempre sob a égide da moda. Tal não seria um processo de diferenciação igualadora ou equalização diferenciadora? O certo é que globalização pressupõe homogeneização e conformação.

O mundo globalizado segue, assim, deformando pela exacerbação da competitividade e conformando pelo estímulo à inatividade.


O avanço solitário do pensamento conservador

Por Roberto Amaral na Carta Capital

Retomo à questão das reformas estruturais, esfinge a desafiar nossos governos de centro-esquerda (por que não as fazemos?) e desafio ideológico a provocar as esquerdas brasileiras. Quanto a estas, a evidência é que, afogadas pela necessidade de vitória eleitoral, terminamos renunciando ao debate, abrindo, assim,  caminho para o avanço solitário do pensamento/ideário conservador.

O Brasil profundo, até 2012, vem votando na esquerda, ou mais precisamente em candidatos filiados a partidos programaticamente de esquerda, mas os ‘corações e mentes’ são conquistados pelo monopólio da  direita impressa, com a demolição da política (de que depende a democracia) e da esperança, de que depende a esquerda. Um só dado: pesquisa em poder do TSE informa que 80% dos jovens brasileiros rejeitam a política, não crêem na política, muito menos nos partidos e nos políticos. A tragédia não diz respeito exclusivamente às esquerdas (embora sua responsabilidade seja dominante) mas a todos que defendem o processo democrático: tire-se da política a política, os partidos e os políticos, o que ficará de pé para dar sustentação à vida democrática?

Já vimos esse filme.

Para ganhar, a esquerda brasileira (e que dizer da francesa de hoje e seu lamentável Partido Socialista?) está convencida de que precisa ganhar setores à sua direita (o centro e a direita propriamente dita) e para ganhá-los torna-se bem comportada nas alianças eleitorais, no discurso, e no programa, o qual, mesmo tímido, é o primeiro a ser jogado de lado, pois no governo a abelha-rainha é a ‘governabilidade’. Para governar se impõem concessões, nas alianças que garantam tranquilidade parlamentar, nas composições políticas, necessárias, com o empresariado e o monopólio da informação (com quem precisa estabelecer um modus vivendi), os movimentos sociais e os sindicatos. Estes são levados à redução corporativa, ou seja, renunciam ao debate político – a vítima de sempre –, em benefício da estabilidade do governo que ajudaram a eleger e têm o dever histórico de sustentar.
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